Na operação do dia a dia, há processos que sustentam o funcionamento do negócio mesmo quando não estão em primeiro plano. Quando bem desenhados, esses processos permitem operar com clareza, consistência e agilidade, inclusive em ambientes de alto volume e alta exigência regulatória.
É nesse espaço que se concentra o trabalho liderado por Beatriz Brown Sáenz, Gerente de Produto de Grupo Soluções de Negócios na Evertec. Hoje, seu foco é claro: traduzir a complexidade operacional em capacidades que permitam aos clientes gerenciar melhor seus processos documentais e de fulfillment.
Sua trajetória ajuda a dar contexto a essa mudança. Após mais de uma década em finanças, seu papel evoluiu de analisar o desempenho do negócio para influenciar diretamente como ele opera.
Com essa mudança, seu trabalho deixou de se limitar ao diagnóstico e passou à execução. “Antes, meu foco era interpretar os números e comunicar o que estava acontecendo. Hoje, é pegar essa informação e transformá-la em soluções que melhoram a forma como nossos clientes operam”, explicou.
Essa lógica não fica na teoria. É a base sobre a qual hoje as soluções são desenhadas e evoluem, impactando diretamente a eficiência, a rastreabilidade e a experiência do cliente.
Infraestrutura que sustenta
Projetada para oferecer visibilidade, autonomia e agilidade em processos documentais críticos.
O fulfillment se organiza em três componentes: impressão tradicional, impressão digital e um repositório de informações, explicou a executiva ao detalhar seu alcance operacional.
Na prática, essa arquitetura permite gerenciar comunicações físicas quando necessário, habilitar fluxos digitais por meio da geração e envio de documentos e, principalmente, manter um repositório que permite acessar essas informações a qualquer momento.
O mais relevante não é a estrutura em si, mas o que ela possibilita: continuidade da informação, disponibilidade e acesso sem fricção em diferentes pontos do processo.
Flexibilidade para integrar e escalar
Uma das evoluções mais relevantes do modelo ocorre no repositório.
Foi desenvolvido um API layer que permite desacoplá-lo de um único fluxo de geração de documentos, ampliando sua integração com diferentes ambientes operacionais. “Você pode imprimir ou gerar o PDF com qualquer fornecedor e, ainda assim, eu posso ser o seu repositório”, afirmou.
Essa mudança adiciona uma camada extra de flexibilidade. O cliente pode integrar diferentes fornecedores ou fluxos sem perder a continuidade no acesso à informação, o que simplifica a operação e permite escalar o modelo em diferentes mercados ou contextos.
Autonomia para executar com mais agilidade
O roadmap segue em uma direção clara: dar ao cliente mais controle sobre sua operação.
Hoje, muitos processos exigem trocas contínuas entre cliente e fornecedor. O fluxo pode envolver o envio de documentos, ajustes e aprovações de múltiplas versões antes da execução.
A evolução aponta para um modelo diferente: habilitar ferramentas para que o cliente edite, revise e aprove suas próprias cartas dentro da infraestrutura e, em seguida, as envie para produção.
A lógica é direta: acelerar prazos, reduzir dependências e permitir maior controle sobre a execução, sem eliminar a opção de serviço completo quando necessário.
Visibilidade de ponta a ponta
Se a autonomia reduz a fricção, a visibilidade amplia a capacidade de gestão.
“O cliente quer saber onde está sua carta em todos os momentos”, afirmou ao explicar o foco da evolução do produto.
Esse princípio se traduz em melhorias para refletir o status do processo em cada etapa, desde o recebimento do pedido até sua produção e entrega.
Também inclui validação de endereços e acompanhamento após o envio, ampliando a visibilidade mesmo fora do ambiente operacional direto.
O resultado é uma operação com mais informação disponível para antecipar e otimizar.
Do documento à ação
A evolução não se limita a como o documento é gerado ou entregue.
Hoje, há a capacidade de integrar QR codes em documentos físicos que direcionam para um link de pagamento, assim como links em documentos digitais para concluir a transação diretamente no dispositivo.
Isso reduz etapas intermediárias e aproxima a comunicação da ação, melhorando a experiência do usuário final e trazendo eficiência ao ciclo de cobrança.
Segurança e conformidade como base
Nesse tipo de operação, a base é crítica.
A companhia lida continuamente com dados confidenciais e opera com controles robustos, incluindo criptografia e conformidade com padrões como PCI.
Isso garante que as capacidades de visibilidade, integração e autosserviço sejam construídas sobre uma base sólida.
O que continua agregando valor
Olhando para o futuro, estão sendo exploradas capacidades de inteligência artificial para otimizar processos como revisão, redação e tradução de documentos.
O objetivo é reduzir tempos no ciclo de preparação e continuar aumentando a eficiência.
Mais visibilidade, maior autonomia e melhor integração transformam esses processos em uma capacidade operacional tangível para o cliente. Não se trata apenas de executar. Trata-se de operar com controle sobre como cada interação acontece.