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29/04/2026

MED 2.0 no Pix: o novo modelo de devolução para combater fraudes 

O MED 2.0 no Pix aprimora o Mecanismo Especial de Devolução, ampliando a rastreabilidade dos valores e fortalecendo o combate a fraudes em pagamentos instantâneos. Neste artigo, entenda como o...
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Desde sua criação, o PIX tem revolucionado o ecossistema financeiro, conferindo agilidade e conveniência no dia a dia dos brasileiros. Contudo, a rapidez com que as transações são feitas por esse meio, também abre espaço para ação de fraudadores e golpistas. Em resposta a esse cenário, o Banco Central lançou MED 2.0, uma versão aprimorada do Mecanismo Especial de Devolução, que permite recuperar valores em casos de fraldes ou falhas envolvendo o PIX com mais eficiência e rastreabilidade.

Mais do que uma evolução incremental, o MED 2.0 trata-se de uma transformação regulatória, que promete fortalecer ainda mais os mecanismos de combate a golpes nos pagamentos instantâneos, sendo obrigatória para as instituições que operam com PIX desde fevereiro de 2026.

Continue a leitura e entenda o que é, como funciona o MED no ecossistema PIX, quando utilizar e qual sua importância no combate a fraudes digitais no mercado de pagamentos e transações financeiras.

O que é o MED no Pix?

Criado pelo Banco Central, o Mecanismo Especial de Devolução, também chamado de MED, consiste em uma funcionalidade que viabiliza a devolução de valores transferidos via PIX em casos como golpes, fraudes ou falhas operacionais.

Por meio desse recurso de contestação, as instituições financeiras podem reverter transações quando há suspeitas de fraude. Contudo, a devolução PIX via MED não ocorre de forma automática, assim como um estorno tradicional comum em transações com cartões de crédito, por exemplo.

Nesse caso, o processo de devolução segue um fluxo padronizado, passando por uma análise criteriosa, a fim de equilibrar agilidade e segurança, evitando prejuízos aos usuários e às instituições.

Como funciona o mecanismo especial de devolução?

Basicamente, o MED envolve algumas etapas e atuação conjunta das instituições financeiras associadas à transação. No geral funciona da seguinte maneira:

  • Quando o usuário identifica uma suspeita de fraude ou golpe, ele deve acionar sua instituição financeira e comunicar o problema em até 80 dias;
  • O banco que enviou o PIX analisa o registro e, caso ele se enquadre nos critérios do MED, ele o encaminha para a instituição do destinatário da transferência.
  • Uma vez confirmada a suspeita de fraude ou erro na transação, o banco do recebedor realiza um bloqueio cautelar da quantia transferida na conta do destinatário.
  • Em seguida uma análise mais criteriosa é feita entre as instituições financeiras envolvidas para confirmação final da fraude, golpe ou falha técnica. Havendo essa confirmação, a devolução é feita em até 96 horas.

É importante destacar que a devolução do PIX via MED pode ser feita de modo total ou parcial, caso não haja saldo suficiente. Nesse último caso, novos bloqueios complementares são realizados dentro de 90 dias na conta da pessoa que recebeu a transferência, a fim de reaver o valor integral à vítima.

O que muda com o MED 2.0?

Embora o Mecanismo Especial de Devolução seja uma funcionalidade que fortalece a segurança em sistemas de pagamento instantâneo, ele possui limitações, sendo a principal delas a ocorrência do bloqueio somente na primeira conta recebedora.

Como o movimento padrão dos fraudadores envolve a pulverização dos valores, ou seja, a distribuição em várias contas antes de ocorrer o bloqueio, esse modelo inicial abre uma enorme margem de oportunidades para atuação de fraudadores. Não por acaso, mais de 90% dos valores oriundos de fraldes não foram devolvidos integralmente por falta de saldo na conta inicial de destino.

Em vista disso, o Bacen publicou a Resolução BCB n°493, com melhorias no Mecanismo Especial de Devolução. Entre as principais mudanças trazidas por essa evolução, que ficou conhecida como MED 2.0, estão:

Ampliação do rastreamento

A nova versão agora possui a capacidade de rastrear os valores em múltiplas camadas. Ou seja, ao invés de limitar o rastreio à primeira conta, o MED 2.0 permite ampliar o rastreio do trajeto do dinheiro por até 5 contas, identificando a rota intermediária por onde ele passou, através de algoritmos inteligentes que avaliam padrões entre as transações.

Contestação no app

Outra mudança envolve a implantação de um botão de contestação via MED diretamente no aplicativo dos bancos. Além de conferir mais conveniência, isso também elimina a necessidade de atendimento humano e permite que o registro do MED seja efetuado imediatamente.

Mais agilidade e padronização

Com o MED 2.0, cada etapa possui prazos definidos para sua execução, sendo de até 7 dias para análise do registro de infração pelos prestadores de serviço de pagamento (PSPs) e até 11 dias para resolução final, contados a partir da data em que a contestação foi realizada até a conclusão da devolução. Como resultado, isso garante maior previsibilidade e diminui o tempo de resposta para os usuários.

Quando utilizar o MED?

A devolução PIX através do MED 2.0 não se aplica em qualquer caso. Esse recurso segue diretrizes estabelecidas pelo Bacenque definem as situações onde ele se aplica. Isso inclui:

  • Fraude (suspeita ou comprovada)
  • Falhas operacionais no sistema PIX
  • Golpes de engenharia social
  • Acesso indevido a conta ou uso não autorizado de credenciais
  • Pagamentos fraudulentos via QR Code

Casos como erros de digitação no valor ou chave PIX, bem como desacordos comerciais e transferências feitas e que não haja indícios de fraude são exemplos de situações onde o MED não se aplica.

A importância de soluções de prevenção à fraude

A devolução de valores via Pix por meio do MED representa um avanço importante na segurança das transações digitais. No entanto, combater fraudes exige mais do que a adoção de mecanismos reativos — é preciso atuar antes que o problema aconteça.

Nesse contexto, torna-se essencial integrar soluções que operem de forma preventiva e inteligente. Ferramentas antifraude avançadas e de autenticação, como o Risk Center e o FaceMatch da Evertec, utilizam inteligência artificial, biometria e background check, entre outros recursos, para identificar riscos, validar credenciais e aumentar a segurança das transações em tempo real.

Ao combinar o potencial do MED com tecnologias modernas de prevenção à fraude, as instituições não apenas reforçam a proteção das operações, como também elevam a confiança e a qualidade da experiência do cliente. Em um ambiente cada vez mais digital e dinâmico, investir em soluções inteligentes deixa de ser um diferencial e passa a ser uma necessidade estratégica.

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